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O fantasma do comunismo

Sou de 1971. 
Lembro as atrocidades cometidas na Guerra do Vietnã: o desfolhador laranja, as táticas de guerrilha e os milhares de jovens americanos sem qualquer treinamento sendo enviados para a morte certa em solo estrangeiro. Vi que uma guerra sangrenta pode começar quando países mais fortes e opressores querem – a todo custo – impor o seu modelo econômico em um país estrangeiro estrategicamente posicionado. Vi também quão longo é o caminho da reconstrução de uma nação arrasada pelo conflito e como é enorme o sofrimento do povo e de famílias partidas ao meio.
Emocionante, não?
Ocorre que a Guerra do Vietnã terminou em 1975 ou, numa métrica mais realista, em 1973 com assinatura do acordo de paz. Portanto, não há como eu lembrar nem dos detalhes do conflito e muito menos dos eventos que o antecederam. Eu era apenas um bebê quando a guerra acabou!
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No debate de ontem na TV Globo, Guilherme Boulos, candidato do PSOL à presidência, protagonizou um discurso “emocionado”, chegou até a forçar…
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Fogo vermelho

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” (Edmund Burke)
O museu mais visitado do Brasil é o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro. Trata-se de um prédio com arquitetura arrojada – embora de gosto discutível – e sem acervo algum.
Apesar do conteúdo praticamente inexistente, hordas de jovens “culturamente engajados” visitam o “museu” para tirar uma boa dose de selfies e postá-las nas redes sociais. São quase um milhão e meio de visitantes por ano, contra cerca de 500 mil do MASP, para desgosto de Cândido Portinari e Anita Malfatti.
Com esse retrospecto, não era de se esperar que a juventude brasileira capturasse a magnitude da tragédia que foi o incêndio do Museu Nacional e a destruição de muitas de suas preciosas peças e coleções. Ainda assim, mesmo munindo-se das piores expectativas, não houve como não se surpreender pela baixeza com que autoridades e populares se comportaram.
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Diante do luto de historiadores, museólogos e brasileiros em geral, viu-se um lamentável…

O candidato antifrágil

O autor Nassim Taleb cunhou o termo antifrágil para descrever mecanismos ou sistemas que se tornam mais robustos quando expostos a intempéries. Normalmente, encontra-se a antifragilidade em populações, ao passo que o indivíduo é – em geral – frágil.
Restringindo a análise ao campo político e aos últimos 6 meses, Jair Bolsonaro talvez seja um dos poucos indivíduos antifrágeis já observados. Quanto mais é agredido – seja por adversários ou pelos “jornalistas” – mais cresce nas pesquisas.
Há 6 meses, todos os analistas políticos diziam que Bolsonaro não estaria no 2º turno. Ponderavam que sem partido forte, sem aliados, sem coligação e sem tempo de TV, seria apenas um modismo. Erraram: hoje a questão é quem estará no 2º turno com ele. Ou, mesmo, se haverá um 2º turno.
Ninguém pode afirmar que entende a dinâmica que está acontecendo, mas este artigo tenta formular uma hipótese.
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Jair Bolsonaro estabeleceu-se como a alternativa anti-establishment. Não importa se já está em seu sétimo mandato …

Via negativa

Em teologia, o termo via negativa representa uma maneira de descrever Deus com atributos que Ele não tem. Trata-se de um reconhecimento pelos teólogos de que não há como caracterizar Deus de forma finita e exaustiva utilizando afirmações sobre atributos que Ele possui (i.e. via positiva) . Portanto, prefere-se a argumentação onde eliminam-se os quesitos que não o caracterizam (via negativa) para se chegar à descrição mais próxima da (suposta) realidade.
Parece muito abstrato, mas o conceito é simples e tem aplicação prática em áreas como matemática, física, biologia, química e outros tantos ramos de pesquisa. Na matemática, por exemplo, algumas demonstrações são mais fáceis e elegantes pelo “método do absurdo”, ou seja, via negativa. Parte-se do pressuposto que uma determinada expressão não é verdadeira e demonstra-se que isso não pode ser verdade pois tal hipótese feriria um axioma ou uma tautologia. Portanto, prova-se que a referida expressão é válida.
O autor Nassim Taleb faz o uso …

Neymagem e semelhança

Desta vez, a seleção brasileira perdeu pros belgas, time conhecido como “diabos vermelhos”.
Caímos nas quartas-de-final com elegância, tanto em campo como no pós-jogo. O time tentou bravamente buscar o empate e teve suas chances, Tite deu uma entrevista ponderada após a eliminação e até Neymar nos poupou do “cai-cai” e das ridículas simulações que vinha encenando.
A ironia: o jogo com a Bélgica foi o único confronto onde nossa seleção não representou bem o Brasil...
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Em meio a uma crise de representatividade que assola o cenário político nacional, a seleção brasileira – se deixava a desejar no futebol – vinha nos representando muito bem até o jogo com o México.
A comitiva brasileira culpou o VAR diversas vezes, mandou carta para a FIFA, reclamou da arbitragem e fez de tudo para atribuir aos outros a responsabilidade pelo mau futebol apresentado. Ganhamos da fraca Costa Rica no sufoco, só saindo do zero aos 45 minutos do segundo tempo... mas isso foi porque os adversários caçaram Neymar, …

God bless us

Em países de língua inglesa, é comum as pessoas dizerem “god bless you” a quem espirra. Há diversas teorias para explicar o uso dessa expressão, sendo algumas delas relacionadas à praga de Justiniano ou à peste negra, pandemias que dizimaram milhões de pessoas. Supostamente, um dos principais sintomas daqueles acometidos pela doença eram os espirros frequentes, e o refrão “god bless you” era uma oração àqueles praticamente sentenciados à morte.
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O boom dos planos de saúde no Brasil ao longo dos anos 90 foi auspiciosamente percebido pela sociedade. Com uma módica contribuição mensal, as famílias de classe média supunham assegurar um ótima cobertura médica, mesmo para situações complexas envolvendo longos tratamentos ou cirurgias.
A proliferação dos planos, inclusive com operadoras ocupando segmentos mais populares, passou ao largo da ANS. Em se tratando de um negócio de seguro, a prestadora deveria ter capitalização adequada e política de investimento responsável para rentabilizar o val…

De Novo ?

Em seu livro “Why Nations Fail”, o economista Daron Acemoglu atribui o insucesso de determinadas nações a seus sistemas políticos (e econômicos) fechados. Ou seja, quanto maior a dificuldade de o indivíduo motivado influenciar ou ingressar nas instituições políticas, maior a chance de – no longo prazo – aquela nação não prosperar.
Em diversas passagens, a leitura do volume de Acemoglu despertará nos brasileiros o sentimento de “é nóis”. O Brasil continua errando demais e tem tudo para engrossar a lista dos países que não deram certo. Nossa economia é fechada, transacionamos pouco com o exterior por conta de tarifas, burocracia, e gargalos logísticos. Empreender no Brasil é um trabalho hercúleo: além da bocarra do fisco, há arcabouços regulatórios, fiscais e trabalhistas que engessam qualquer inovação. E não adianta o cidadão querer contribuir para mudar isso tudo, pois o sistema político é fechadíssimo – aqui, não há candidatos independentes e, mesmo que houvesse, os grandes partidos a…