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Via negativa

Em teologia, o termo via negativa representa uma maneira de descrever Deus com atributos que Ele não tem. Trata-se de um reconhecimento pelos teólogos de que não há como caracterizar Deus de forma finita e exaustiva utilizando afirmações sobre atributos que Ele possui (i.e. via positiva) . Portanto, prefere-se a argumentação onde eliminam-se os quesitos que não o caracterizam (via negativa) para se chegar à descrição mais próxima da (suposta) realidade.
Parece muito abstrato, mas o conceito é simples e tem aplicação prática em áreas como matemática, física, biologia, química e outros tantos ramos de pesquisa. Na matemática, por exemplo, algumas demonstrações são mais fáceis e elegantes pelo “método do absurdo”, ou seja, via negativa. Parte-se do pressuposto que uma determinada expressão não é verdadeira e demonstra-se que isso não pode ser verdade pois tal hipótese feriria um axioma ou uma tautologia. Portanto, prova-se que a referida expressão é válida.
O autor Nassim Taleb faz o uso …
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Neymagem e semelhança

Desta vez, a seleção brasileira perdeu pros belgas, time conhecido como “diabos vermelhos”.
Caímos nas quartas-de-final com elegância, tanto em campo como no pós-jogo. O time tentou bravamente buscar o empate e teve suas chances, Tite deu uma entrevista ponderada após a eliminação e até Neymar nos poupou do “cai-cai” e das ridículas simulações que vinha encenando.
A ironia: o jogo com a Bélgica foi o único confronto onde nossa seleção não representou bem o Brasil...
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Em meio a uma crise de representatividade que assola o cenário político nacional, a seleção brasileira – se deixava a desejar no futebol – vinha nos representando muito bem até o jogo com o México.
A comitiva brasileira culpou o VAR diversas vezes, mandou carta para a FIFA, reclamou da arbitragem e fez de tudo para atribuir aos outros a responsabilidade pelo mau futebol apresentado. Ganhamos da fraca Costa Rica no sufoco, só saindo do zero aos 45 minutos do segundo tempo... mas isso foi porque os adversários caçaram Neymar, …

God bless us

Em países de língua inglesa, é comum as pessoas dizerem “god bless you” a quem espirra. Há diversas teorias para explicar o uso dessa expressão, sendo algumas delas relacionadas à praga de Justiniano ou à peste negra, pandemias que dizimaram milhões de pessoas. Supostamente, um dos principais sintomas daqueles acometidos pela doença eram os espirros frequentes, e o refrão “god bless you” era uma oração àqueles praticamente sentenciados à morte.
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O boom dos planos de saúde no Brasil ao longo dos anos 90 foi auspiciosamente percebido pela sociedade. Com uma módica contribuição mensal, as famílias de classe média supunham assegurar um ótima cobertura médica, mesmo para situações complexas envolvendo longos tratamentos ou cirurgias.
A proliferação dos planos, inclusive com operadoras ocupando segmentos mais populares, passou ao largo da ANS. Em se tratando de um negócio de seguro, a prestadora deveria ter capitalização adequada e política de investimento responsável para rentabilizar o val…

De Novo ?

Em seu livro “Why Nations Fail”, o economista Daron Acemoglu atribui o insucesso de determinadas nações a seus sistemas políticos (e econômicos) fechados. Ou seja, quanto maior a dificuldade de o indivíduo motivado influenciar ou ingressar nas instituições políticas, maior a chance de – no longo prazo – aquela nação não prosperar.
Em diversas passagens, a leitura do volume de Acemoglu despertará nos brasileiros o sentimento de “é nóis”. O Brasil continua errando demais e tem tudo para engrossar a lista dos países que não deram certo. Nossa economia é fechada, transacionamos pouco com o exterior por conta de tarifas, burocracia, e gargalos logísticos. Empreender no Brasil é um trabalho hercúleo: além da bocarra do fisco, há arcabouços regulatórios, fiscais e trabalhistas que engessam qualquer inovação. E não adianta o cidadão querer contribuir para mudar isso tudo, pois o sistema político é fechadíssimo – aqui, não há candidatos independentes e, mesmo que houvesse, os grandes partidos a…

VAR tomar no cu !

Começou a copa do mundo, e copa do mundo é Brasil! No passado, o Brasil se destacava pelo futebol, mas ultimamente tem sido em outros flancos.
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Antes de a bola rolar, um turista brasileiro na Rússia postou um vídeo onde zoava uma russa e o clip viralizou. O cidadão e seus amigos cantavam “buceta rosa” e a russa tentava acompanhar. Num piscar de olhos, houve uma caçada aos participantes do vídeo que já foram identificados e linchados nas redes sociais, sendo tachados de racistas e misóginos. Detalhe: não foi Putin que empreendeu a cruzada, mas sim os hipócritas brasileiros a 12.000 quilômetros de Moscou. Nossos “artistas” de plantão já se prontificaram a dar suas lições de moral, como não poderia deixar de ser.
Brincadeira de mau gosto ou não, a perseguição aos torcedores mostra que o brasileiro não tem mesmo o que fazer. Ao invés de trabalhar, produzir riqueza e tentar sair da rebordosa, o povinho daqui gasta tempo produzindo memes e comentários nas redes sociais. Tudo isso antes de fa…

PSOL ou não sou?

Em seu seu mais recente livro, Skin In The Game, o autor Nassim Taleb declara imoral a atitude de se ter uma postura na vida privada distinta daquela que se preconiza na vida pública. Nas palavras de Taleb “It is immoral to claim virtue without fully living with its direct consequences”. E, em outro trecho: “If your private life conflicts with your intellectual opinion, it cancels your intellectual ideas, not your private life”.
Dito de forma mais simples e com exemplos mundanos, que confiança o leitor teria em um vendedor da Apple Store que só usasse produtos Samsung na sua vida privada? Ou de comprar uma BMW aconselhado por um vendedor que dirigisse uma Mercedes?
É difícil discordar de que seriam situações esdrúxulas e que explicitariam total falta de comprometimento do agente com seu discurso público.
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Munido de situações onde há desalinhamentos patentes, Taleb abre as baterias contra figuras como Hillary Clinton e outras. É uma pena que ele não conheça o PSOL...
O que dizer de um par…

Infinita Ráiuei

O talentoso compositor Humberto Gessinger devia estar inspirado pelas autobans quando compôs os versos da canção Infinita Highway: “Cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta, só prá ver até quando o motor aguenta”. Se estivesse pensando numa estrada brasileira, os versos seriam algo do tipo “Oitenta, cento e dez, radar, máxima de cinquenta, quebra-molas, passando a trinta senão arrebenta, de novo cento e dez, opa – agora é só noventa, só pra ver quanta multa a gente aguenta”.
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Nossa BR-040, por exemplo, é uma estrada cheia de contradições, assim como a letra do hit dos Engenheiros do Hawaii. O trecho Rio-Juiz de Fora não chega a ser uma autoban, mas é uma boa highway de pista dupla e acostamento, onde predomina velocidade máxima de 110 km/h que parece adequada. Depois de Juiz de Fora, vira uma ráiuei tupiniquim da pior qualidade e com todos os opcionais...
... Tem-se uma miríade de quebra-molas, radares no meio do nada, placas antigas e postos policiais desguarnecidos. E, o pior de …