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Pesadelo tropical

O jovem teve uma noite inquieta. Ideias malucas transtornavam sua cabeça e perturbavam seu sono. O rapaz se imaginou vivendo em uma sociedade distópica e não sabia se teria oportunidades dignas de construir seu futuro. Sentiu-se como Alice.
Naquela realidade paralela, tudo era muito estranho e as regras não eram claras. Alguns tinham privilégios e benefícios especiais. Ainda assim, o sucesso profissional e financeiro honestamente conquistado era malvisto, era interpretado como pilantragem – salvo no caso de celebridades. Como ter, então, uma carreira bem-sucedida? Na encruzilhada que inicia a vida adulta, o jovem tinha mais perguntas do que respostas.
"Serei médico", vislumbrou. Subitamente, viu-se em hospitais velhos e obsoletos, trabalhando em condições precárias, ao passo que um certo (ex-)presidente dizia que a saúde no país era quase perfeita. Também foi tomado pela horripilante visão de hordas de pretensos médicos vindos de outras terras e sendo mais valorizados pela …
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Warren Buffett no Brasil

Quem já leu alguma biografia sobre Warren Buffett sabe que ele trabalhou como entregador de jornal quando era garoto. Desde muito cedo, era um obcecado por eficiência, tanto que criou um processo para entregar os jornais mais rapidamente e, com isso, conseguir atender uma maior quantidade de ruas e fazer jus a um pagamento maior.
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Nos anos 50, Buffett iniciou um private partnership para investir no mercado financeiro. Com os primeiros bons resultados alcançados, foi gerando interesse, atraiu mais clientes e o seu veículo de investimento cresceu. No entanto, mesmo com o aumento dos ativos sob gestão, Buffett jamais constituiu equipe de análise, comitê de risco ou departamento de compliance. Mesmo quando, décadas mais tarde, a Berkshire Hathaway tornou-se uma empresa Fortune 500, a companhia contava com apenas algumas dezenas de funcionários diretos.
O veículo gerido por Buffett podia comprar qualquer ativo. Em geral, investia em ações de companhias listadas, mas esporadicamente adq…

Floyd explica

Sigmund Freud é considerado o pai da psicanálise. Uma de suas proposições é o Complexo de Édipo, que tenta explicar o conjunto de sentimentos que os meninos desenvolvem pela mãe (e também pelo pai). Segundo Freud, a vivência do Complexo de Édipo está relacionada à formação do ego como estrutura do aparelho psíquico.

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Roger Waters ainda era um bebê quando perdeu seu pai, morto em combate na Itália durante a II Guerra Mundial. Talvez por isso, Waters nunca tenha amadurecido psiquiatricamente, não viveu os dilemas do Complexo de Édipo e – se não desenvolveu o ego freudiano – tornou-se um sujeito de  egocentrismo doentio.

Waters viveu uma infância tranquila, apesar da ausência do pai, mas sempre insistiu em sugerir que havia sido um pobre infeliz. Seja em diversas letras das músicas do Pink Floyd ou, de forma mais gráfica, no filme The Wall. Talvez tenha sido resultado de tantas drogas na companhia do loucão Syd Barrett ou mesmo um mise en scène para se fazer de desajustado, especialme…

Comissão Uórren

Quem matou Marielle? Eis a pergunta que não cala há 10 meses. Está (ilegalmente) pichada nas ruas do Rio de Janeiro e semanalmente nos jornais, quando não diariamente.

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Quem matou JFK? Nos livros de História, o culpado é Lee Harvey Oswald – mas provavelmente é uma lorota do quilate de “Cabral pegou uma calmaria e, sem querer, chegou ao Brasil”.

O mundo vivia sob a Guerra Fria. Lee Harvey era um ex-soldado americano que havia desertado para a União Soviética para, mais tarde, voltar aos Estados Unidos. Suspeito, não? Pois é, Lee Harvey tocou o horror depois de seu retorno – tentou assassinar um general americano anticomunista, fez campanha e organizou grupos pró-Fidel em Nova Orleans e tentou visitar Havana.

Menos de uma hora após o assassinato de Kennedy, Lee Harvey foi preso – matou um policial – e rapidamente concluiu-se que ele cabia na descrição do suspeito de atirar no presidente. No melhor estilo “queima de arquivo”, Lee Harvey foi assassinado (dentro da delegacia de polícia onde …

E agora, José?

José Mayer, e agora? Depois da acusação de assédio e suspensão de suas atividades no Grupo Globo, você amargou dois anos de geladeira. De nada adiantaram suas desculpas. Agora, definitivamente, a Globo te rifou, te deu “click”, mudou o canal. Você está fora da constelação global.



É um novo dia, de um novo tempo, poderias pensar, José. Será mesmo? Será que você vai conseguir se desvencilhar do esteriótipo de galã-machão-comedor-alfa-mega? Parece uma encruzilhada, pois a Globo construiu esse molde para você, mas – se você seguir nesse script – será difícil reconquistar a simpatia do público em meio à barulhenta a patrulha feminazi.

José, se você se julga “fruto de uma geração” onde o machismo era pervasivo e aceito como norma, tal qual sua declaração no irromper do infeliz episódio há dois anos, então a Globo hiperpotencializou esse fenótipo, não é mesmo? E agora, José – você dará uma guinada após tantas décadas de carreira como garanhão? Passará a aceitar apenas papéis cômicos? Ou quem s…

Primeiros erros?

“Se um dia eu pudesse ver, meu passado inteiro... Eu faria parar de chover, nos primeiros erros” (Capital Inicial e Kiko Zambianchi)
Mal o novo governo tomou posse e a imprensa já abriu suas baterias. Jornalistas paus-mandados ou a serviço de uma desbotada ideologia, ou simplesmente canalhas, perderam o tênue compromisso com a verdade que ainda tinham. Pululam nos veículos de mídia matérias tendenciosas, levianas e vergonhosas.
É incrível a quantidade de “balanços” ou “retrospectivas” dos 10 (dez!) primeiros dias (dias!) de governo. Pergunta: levam em conta o fim-de-semana como dia útil?
Manchetes como “General Mourão terá 65 assessores” encabeçam, na verdade, um relato sobre o corte de aproximadamente 50% no número de assessores que o vice-presidente já empreendeu logo de início e que resultou em 65 assessores ao final. Almejava um corte maior, mas a lei não permitiu. Contudo, o jornalista quer criar a falsa impressão de gastança para o leitor desavisado. Há centenas de “furos” de r…

Bird Box Redux

Uma das apostas recentes da Netflix é a produção Bird Box. O filme mostra um grupo de pessoas tentando sobreviver a um ente maligno que – por conta de sua extrema beleza – aciona um instinto suicida instantâneo naqueles que o miram diretamente.
A protagonista do filme é Sandra Bullock que, após uma sequência de eventos, empreende uma viagem de bote por um rio caudaloso com duas crianças. O objetivo é tentar chegar a um suposto refúgio ou santuário que o tal ente não consegue atingir. Detalhe: toda a viagem deve ser feita com os olhos vendados.
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A esquerda adora politizar tudo: canção de roda, jogo infantil, salário de jogador de futebol, e por aí vai. Que tal imaginarmos uma metáfora-politização, só que de direita, de Bird Box?
Atenção: o texto contém spoilers e é contra-indicado para “artistas” e “intelectuais”.
Na verdade, o filme é passado no Brasil e o "inimigo" invisível é o virtuosismo do capitalismo. Aqueles que olham para ele e vêem como a vida poderia ser melhor hoje …