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Primeiros erros?

“Se um dia eu pudesse ver, meu passado inteiro... Eu faria parar de chover, nos primeiros erros” (Capital Inicial e Kiko Zambianchi)
Mal o novo governo tomou posse e a imprensa já abriu suas baterias. Jornalistas paus-mandados ou a serviço de uma desbotada ideologia, ou simplesmente canalhas, perderam o tênue compromisso com a verdade que ainda tinham. Pululam nos veículos de mídia matérias tendenciosas, levianas e vergonhosas.
É incrível a quantidade de “balanços” ou “retrospectivas” dos 10 (dez!) primeiros dias (dias!) de governo. Pergunta: levam em conta o fim-de-semana como dia útil?
Manchetes como “General Mourão terá 65 assessores” encabeçam, na verdade, um relato sobre o corte de aproximadamente 50% no número de assessores que o vice-presidente já empreendeu logo de início e que resultou em 65 assessores ao final. Almejava um corte maior, mas a lei não permitiu. Contudo, o jornalista quer criar a falsa impressão de gastança para o leitor desavisado. Há centenas de “furos” de r…
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Bird Box Redux

Uma das apostas recentes da Netflix é a produção Bird Box. O filme mostra um grupo de pessoas tentando sobreviver a um ente maligno que – por conta de sua extrema beleza – aciona um instinto suicida instantâneo naqueles que o miram diretamente.
A protagonista do filme é Sandra Bullock que, após uma sequência de eventos, empreende uma viagem de bote por um rio caudaloso com duas crianças. O objetivo é tentar chegar a um suposto refúgio ou santuário que o tal ente não consegue atingir. Detalhe: toda a viagem deve ser feita com os olhos vendados.
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A esquerda adora politizar tudo: canção de roda, jogo infantil, salário de jogador de futebol, e por aí vai. Que tal imaginarmos uma metáfora-politização, só que de direita, de Bird Box?
Atenção: o texto contém spoilers e é contra-indicado para “artistas” e “intelectuais”.
Na verdade, o filme é passado no Brasil e o "inimigo" invisível é o virtuosismo do capitalismo. Aqueles que olham para ele e vêem como a vida poderia ser melhor hoje …

O fantasma do comunismo

Sou de 1971. 
Lembro as atrocidades cometidas na Guerra do Vietnã: o desfolhador laranja, as táticas de guerrilha e os milhares de jovens americanos sem qualquer treinamento sendo enviados para a morte certa em solo estrangeiro. Vi que uma guerra sangrenta pode começar quando países mais fortes e opressores querem – a todo custo – impor o seu modelo econômico em um país estrangeiro estrategicamente posicionado. Vi também quão longo é o caminho da reconstrução de uma nação arrasada pelo conflito e como é enorme o sofrimento do povo e de famílias partidas ao meio.
Emocionante, não?
Ocorre que a Guerra do Vietnã terminou em 1975 ou, numa métrica mais realista, em 1973 com assinatura do acordo de paz. Portanto, não há como eu lembrar nem dos detalhes do conflito e muito menos dos eventos que o antecederam. Eu era apenas um bebê quando a guerra acabou!
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No debate de ontem na TV Globo, Guilherme Boulos, candidato do PSOL à presidência, protagonizou um discurso “emocionado”, chegou até a forçar…

Fogo vermelho

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” (Edmund Burke)
O museu mais visitado do Brasil é o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro. Trata-se de um prédio com arquitetura arrojada – embora de gosto discutível – e sem acervo algum.
Apesar do conteúdo praticamente inexistente, hordas de jovens “culturamente engajados” visitam o “museu” para tirar uma boa dose de selfies e postá-las nas redes sociais. São quase um milhão e meio de visitantes por ano, contra cerca de 500 mil do MASP, para desgosto de Cândido Portinari e Anita Malfatti.
Com esse retrospecto, não era de se esperar que a juventude brasileira capturasse a magnitude da tragédia que foi o incêndio do Museu Nacional e a destruição de muitas de suas preciosas peças e coleções. Ainda assim, mesmo munindo-se das piores expectativas, não houve como não se surpreender pela baixeza com que autoridades e populares se comportaram.
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Diante do luto de historiadores, museólogos e brasileiros em geral, viu-se um lamentável…

O candidato antifrágil

O autor Nassim Taleb cunhou o termo antifrágil para descrever mecanismos ou sistemas que se tornam mais robustos quando expostos a intempéries. Normalmente, encontra-se a antifragilidade em populações, ao passo que o indivíduo é – em geral – frágil.
Restringindo a análise ao campo político e aos últimos 6 meses, Jair Bolsonaro talvez seja um dos poucos indivíduos antifrágeis já observados. Quanto mais é agredido – seja por adversários ou pelos “jornalistas” – mais cresce nas pesquisas.
Há 6 meses, todos os analistas políticos diziam que Bolsonaro não estaria no 2º turno. Ponderavam que sem partido forte, sem aliados, sem coligação e sem tempo de TV, seria apenas um modismo. Erraram: hoje a questão é quem estará no 2º turno com ele. Ou, mesmo, se haverá um 2º turno.
Ninguém pode afirmar que entende a dinâmica que está acontecendo, mas este artigo tenta formular uma hipótese.
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Jair Bolsonaro estabeleceu-se como a alternativa anti-establishment. Não importa se já está em seu sétimo mandato …

Via negativa

Em teologia, o termo via negativa representa uma maneira de descrever Deus com atributos que Ele não tem. Trata-se de um reconhecimento pelos teólogos de que não há como caracterizar Deus de forma finita e exaustiva utilizando afirmações sobre atributos que Ele possui (i.e. via positiva) . Portanto, prefere-se a argumentação onde eliminam-se os quesitos que não o caracterizam (via negativa) para se chegar à descrição mais próxima da (suposta) realidade.
Parece muito abstrato, mas o conceito é simples e tem aplicação prática em áreas como matemática, física, biologia, química e outros tantos ramos de pesquisa. Na matemática, por exemplo, algumas demonstrações são mais fáceis e elegantes pelo “método do absurdo”, ou seja, via negativa. Parte-se do pressuposto que uma determinada expressão não é verdadeira e demonstra-se que isso não pode ser verdade pois tal hipótese feriria um axioma ou uma tautologia. Portanto, prova-se que a referida expressão é válida.
O autor Nassim Taleb faz o uso …

Neymagem e semelhança

Desta vez, a seleção brasileira perdeu pros belgas, time conhecido como “diabos vermelhos”.
Caímos nas quartas-de-final com elegância, tanto em campo como no pós-jogo. O time tentou bravamente buscar o empate e teve suas chances, Tite deu uma entrevista ponderada após a eliminação e até Neymar nos poupou do “cai-cai” e das ridículas simulações que vinha encenando.
A ironia: o jogo com a Bélgica foi o único confronto onde nossa seleção não representou bem o Brasil...
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Em meio a uma crise de representatividade que assola o cenário político nacional, a seleção brasileira – se deixava a desejar no futebol – vinha nos representando muito bem até o jogo com o México.
A comitiva brasileira culpou o VAR diversas vezes, mandou carta para a FIFA, reclamou da arbitragem e fez de tudo para atribuir aos outros a responsabilidade pelo mau futebol apresentado. Ganhamos da fraca Costa Rica no sufoco, só saindo do zero aos 45 minutos do segundo tempo... mas isso foi porque os adversários caçaram Neymar, …