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O sapo na panela

(Escrevi este texto na época das eleições de 2014. Distribuí a alguns amigos mas não publiquei. Infelizmente, o pior aconteceu)

Alemanha 1932, Haiti 1957, Cuba 1958, Venezuela 2004, Argentina 2007. O Brasil de 2014 é o sapo na panela da vez?

Alemanha de Hitler diminuiu vertiginosamente o desemprego. Maquiou os dados, tirando da base de cálculo judeus e mulheres casadas. O estado de Hitler empregou milhares de pessoas a salários baixíssimos, pois quem não concordava perdia acesso à saúde pública. Hitler tornou-se ultrapopular com a ajuda de um belo marqueteiro e depois revelou-se um assassino sem limites.

François Duvalier elegeu-se no Haiti em 1957, médico percebido como simples e bem intencionado. Tinha o carinhoso apelido de Papa Doc. Em 2 anos, Papa Doc acabou com a oposição, criou uma temida milícia e espalhou panfletos se dizendo Deus. Papa Doc colocou seu filho no poder em regime vitalício.  Quase 60 anos depois, o Haiti é um país paupérrimo, violento e cujo único tecido de ordem é sustentado pelo exército brasileiro.

Fidel Castro comandou guerrilheiros cubanos contra o desgoverno de Fulgêncio Batista. Foi, aos poucos, ganhando apoio da população. Depois de tomar o poder, revelou sua verdadeira agenda opressora: confiscou propriedades, fuzilou inimigos e quase detonou uma 3ª guerra mundial no episódio dos mísseis soviéticos. Doente, Fidel alçou seu irmão ao poder. Cuba segue isolada do mundo moderno, paupérrima e desesperançosa. Cuba proíbe seus cidadãos de ir e vir, levando muitos a arriscar a vida em botes ou a nado para tentar chegar aos EUA, sendo que fuzila os que forem capturados na fuga.

Hugo Chávez tentou o golpe de estado em 1992, fracassou. Elegeu-se em 1998 e tomou para si o país – mudou a constituição duas vezes, pilhou a companhia petrolífera estatal, conduziu eleições suspeitas de fraudulentas e perseguiu seus opositores. Chávez perseguiu a iniciativa privada, fechou jornais e TVs, reestatizou empresas e trouxe miséria e desesperança. Abençoou seu sucessor, este menos carismático e com a infelicidade de enfrentar um cenário menos favorável para o preço do petróleo, única riqueza produzida num país sucateado.

Néstor Kirchner manipulou dados de inflação com controle de preços, demonizou o FMI, rasgou contratos, aumentou benefícios previdenciários com recursos de que não dispunha e criou crescimento artifical. Também ungiu seu sucessor, sua esposa Cristina em 2007. A pupila estendeu a cartilha populista, saqueando empresas privadas (inclusive a operação da Vale na Argentina) e ampliando programas assistenciais. Cristina perseguiu vários órgãos de imprensa, inclusive impedindo fornecimento de papel a certos jornais.

Hitler manipulou dados. IBGE e Ipea foram obrigados a mudar suas metodologias de cálculo para mostrar dados favoráveis ao PT. Alguma semelhança? Lula já elogiou Hitler e seu “fogo” em perseguir suas ideias em uma longínqua entrevista de 1979. Também elogiou a revolução do Irã, que instalou um regime extremista no poder. Hoje, Dilma discursa na ONU defendendo diálogo com o Estado Islâmico, os cortadores de cabeças de inocentes civis.

Papa Doc intitulou-se Deus. Lula proclamou-se mais popular que Jesus Cristo e afirmou que teria descoberto o Brasil se fosse vivo antes de Cabral. Assim como Papa Doc, Lula ungiu seu poste sucessor. Tal qual Papa Doc, Lula não se esqueceu de seu filho Lulinha, também agraciado com polpudas benesses.

Seguindo a experiência chavista com a PDVSA, o PT pilhou a Petrobrás, tornando-a conta corrente do partido. Assim como Chávez e Kirchner, o PT não mede esforços para diminuir o papel da imprensa, distribui mesadas assistencialistas aos borbotões e depende da sistematização da pobreza para se manter popular – por isso, odeia a classe média, como declara ruidosamente Marilena Chauí. Odeia a esperança.

Como estes povos foram tão cegos a tudo que acontecia? É o efeito do sapo na panela. Quando o sapo pula numa água fervendo, ele sente dor e foge. Quando o sapo está numa panela com água morna que vai sendo aquecida, não percebe a trajetória da temperatura e morre cozido. Os ditadores sabem disso e, não por acaso, são todos lobos em pele de cordeiro.

O Brasil em 2013 vive uma encruzilhada. O ódio destilado pelo PT na campanha mostra que, para eles, o fim justifica os meios. E, se o PT ganhar a eleição, será por margem apertada, o que é um tanto pior pois acelerará uma agenda opressora no próximo mandato. Não correrá novamente o risco de perder uma eleição, isso se houver outra eleição.

O Brasil tem a chance histórica de demitir os simpatizantes de ditadores nas urnas, sem bala, sem morte. O Brasil tem a chance de derrotar a propaganda nazista, que repete uma mentira mil vezes até que o povo acredite nela. O Brasil tem a chance de manter a preciosa alternância de poder. O Brasil tem a chance de preservar suas instituições, de dar uma esperança às gerações futuras. Enfim, uma chance de preservar a democracia, conquistada a duras penas. Chance não deve ser desperdiçada.

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