Skip to main content

Casa grande e senzala

Na próxima semana, Lula estará no Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro, reunindo-se com artistas e intelectuais. Isso tudo faz parte do show de um Lula que teme a justiça e que agoniza antes de morrer politicamente. Mas há que se reconhecer que o evento é bem apropriado...

A esquerda é – de fato – um teatro. Os vermelhos reclamam do golpismo de Temer, mas esquecem que o escolheram para vice de Dilma. Reclamam de corrupção mas são contra a lava-jato. São contra cortes em saúde e educação, mas não querem nem aumento de impostos e nem reforma da previdência. Nada mais adequado do que se reunirem num teatro.

O nome Casa Grande também vem muito bem a calhar. Regimes comunistas são escravizantes: ao tirar a liberdade econômica da população, colocando o estado como protagonista, impedem que o indivíduo busque seu bem-estar e que, ao fazê-lo, eleve o bem-estar da sociedade. Ou alguém acha que a Coréia do Norte é um país livre? Ou que vive-se bem na Venezuela?

Os artistas e intelectuais sentem-se bem na casa grande. Estão acostumados a cachês milionários (muitas vezes pagos por prefeituras ou verbas partidárias), a apartamentos na Europa e a benesses da Lei Rouanet. São os senhores de engenho de uma gente trabalhadora, que apesar da mão visível do governo segurando a economia, tenta buscar uma ascenção social e econômica.

Certamente, o convescote contará com Chico, Caetano, José de Abreu, Letícia Sabatella, Fernanda Torres, e muitos outros que seguramente não podem reclamar de grana. Quem sabe teremos até um bilionário penetra, o insuportável Bono Vox. Será que ele vem de jatinho particular? Caviar left com sotaque irlandês é demais.

**

Por que a comoção com o julgamento de Lula? Afinal, o comunismo não prega igualdade em todas as esferas? Que tal começar pela igualdade perante a Lei? Mas dessa igualdade Lula não gosta... Há alguns anos defendeu que Sarney – sim, aquele câncer ambulante que assola o país há décadas – não é um “homem comum” e que não deveria ser submetidos às leis ordinárias. Há a lei da casa grande (também conhecida como foro privilegiado) e a lei da senzala.

Lula nunca fez nada fora da política. Só produziu baderna como líder sindical, só deu palestras para audiências-fantasma depois da presidência, nunca escreveu um livro, não contribuiu em nada para engrandecer a sociedade. Um inequívoco rentista do capital político que – sabe-se lá como – detém, um baita senhor de engenho. E como rendeu bem este capital: não é que o ex-operário tinha R$ 9 milhões em uma única conta de investimento? Não foi na senzala que conseguiu juntar esse pé-de-meia.

**

João Amoêdo, por sua vez, é um senzalado. Trabalhou na iniciativa privada e, com méritos próprios, alcançou um dos mais altos postos num banco privado de destaque. Não se encostou no estado ou em máquina pública ou partidária. Cortou cana de sol a sol e teve seu esforço reconhecido e premiado.

Sua candidatura no Partido Novo contará com míseros segundos no horário gratuito da TV, é a migalha que sobrará para o pessoal da senzala. Os senhores de engenho do PT juntar-se-ão a outros opressores (leiam-se partidecos de esquerda) para acumular muitos minutos de TV. Quando teremos nossa Lei Áurea na política?

João Amoêdo propõe o fim da casa grande – privatização de empresas estatais sem vacas-sagradas. Petrobrás, Correios, Caixa Econômica, etc. Quer pôr os senhores de engenho para ralar. Mas os intelectuais e artistas – também acostumados à sombra e mordomias do casarão – não acham isso cool.

João Amoêdo espelha o que há de melhor na lógica anglo-saxônica de representatividade. Em países como EUA e Inglaterra, os candidatos a cargos públicos normalmente são pessoas que já colecionam sucessos na esfera privada e cujo principal objetivo na vida pública é servir o povo. Exemplos? Michael Bloomberg, Mitt Romney, Paul O’Neill. Até no Chile a “moda” pegou com Piñera novamente sendo eleito para consertar o que a esquerda bagunçou.

No Brasil, João Dória mostrará que muito se pode fazer em quatro anos quando o objetivo é ralar no engenho (com competência) ao invés de coçar o saco na casa grande. Mas sempre vai haver um "global" idiota ou um boçal da bossa-nova dizendo que “não é bem assim”, que Dória inibiu a arte, que desalojou dependentes químicos, mimimi, mimimi, mimimi. E o brasileiro, com sua teimosa vocação de escravo, não só dá ouvidos a essa galerinha podre como ainda compra o CD ao vivo com músicas requentadas de 20 anos atrás.

**

Dada a imaturidade do eleitorado brasileiro, não parece ser dessa vez que o Brasil dará a sorte de ter alguém como João Amoêdo vencendo as eleições. Uma pena. Os senhores de engenho – de esquerda, centro e direita – continuarão escravizando a senzala com candidatos messiânicos, com suas mordomias impagáveis, e com pão & circo ... & teatro.

Uma pirueta, duas piruetas... Bravo, bravô !!



Comments

Popular posts from this blog

Pretérito mais-que-imperfeito

O ex-ministro Pedro Malan certa vez disse que, no Brasil, até o passado é incerto. Não é 100% verdade. Há a certeza de que o passado sempre muda para pior, trazendo consequências que garantem que o Brasil nunca será o país do futuro.
A recente MP 806 que altera a tributação de fundos exclusivos é a perfeita demonstração disso.
Há cerca de 15 ou 20 anos, a Receita criou o “come cotas”. Parece nome de videogame vintage mas não é – tratava-se de um sistema para antecipar a cobrança de imposto de renda devido por cotistas de fundos de investimento.
Antes do nosso Pac-man fiscal, os cotistas eram tributados somente no resgate. Ou seja, um investidor pessoa-física que detivesse um título de 5 anos seria taxado apenas no vencimento do papel, ao passo que o cotista de um fundo de investimento que detivesse títulos de 1 ano e reinvestisse o capital todo ano só seria taxado no resgate de suas cotas, quem sabe ao final de 10 anos. Dito de outra forma, um fundo com estratégia de investimento de cur…

Intelectuais, uma vírgula

Ah, nossos intelectuais... Que turminha tinhosa. Não perdem a chance de se imiscuírem em qualquer debate, sobre qualquer assunto, sendo que em 99% dos casos defendem ideias datadas, estapafúrdias e/ou de interesse próprio (mas não prescindindo do disfarce altruísta).
Recentemente, num ato em suporte ao juiz Bretas (e, claramente, expondo o lamentável Gilmar Mendes) parecem ter tido o raro 1% de acerto. Será?
Quase. Bateu na trave. O cartaz que foi utilizado para o “momento Kodak” do evento continha um erro grosseiro de português. “Não se separa o sujeito do predicado com vírgula”, repetem ad nauseum os professores de Língua Portuguesa. Mas nossos intelectuais cravaram lá: “O Rio, está com você”. Respondendo na mesma moeda: “Este autor, lamenta que vocês tenham tanto espaço na mídia”.


Não foi só em Língua Portuguesa que nossa “elite intelectual” levou bomba na escola. Não aprenderam nada em matemática. Qualquer criança de seis anos que já saiba somar e diminuir consegue antever que aq…

Não perturbe

A maioria dos quartos de hotel tem aquele penduricalho na maçaneta da porta: de um lado “não perturbe”, do outro “por favor, arrume”.
Os lares brasileiros precisam, com urgência, colocar o sinal “não perturbe” em suas portas. Os teatros, cinemas e museus idem. A “arte” perturbadora é um vírus como o ebola: vem dos “macaquinhos”, pula para o homem e causa estragos.
Nos últimos anos, agendas como ideologia de gênero e minorias LGBT têm ocupado um espaço desproporcional na mídia. Os “artistas” abraçam estas causas, espertamente usando-as como ferramenta de marketing e pegando carona naquilo que está dando Ibope. O resultado tem sido uma arte excessivamente politizada que, ultimamente, mutacionou para uma “arte” cujo único objetivo é ser perturbadora.
Nada errado com arte perturbadora: Picasso, Paganini, Machado de Assis não são exatamente uma dose de lexotan, mas indiscutivelmente são artistas atemporais. Também não há nada errado com a arte que acalma os sentidos, como Monet e Simon and Ga…